domingo, 7 de agosto de 2011

Entrega


Recebo-te,

Com calma, tranquilo,
Apenas espantado
com tanta assertividade,
porque te ofereces
surpreendentemente como quero.
Entrego-me,
buscando que te sintas
feliz, completa, amada
e espanto-me
com o teu olhar espantado
por tanto gosto e goso
e felicidade encontrada


Fernão Botelho

Encontro


Dou graças!
O espaço ganhou espaço
abriu-se,
libertou-se,
esvaziou-se



E tu vieste
ocupaste o meu vazio
E és o que pedi
O que queria
O que merecia



E eu fui
Também me querias,
desejavas,
esperavas,
Me merecias.


E veio o encanto,
o riso, a ternura,
tanta felicidade
espanto
e loucura .







Fernão Botelho

sábado, 17 de abril de 2010

Paradoxo

Crescem as saudades no meu peito
de tanto pensar em ti!
rasgo o horizonte em cada pranto
solto um grito
porque não estás aqui

Em cada aurora em mim estão
tecem barreiras sem vida
Mas são só sentires vãos
nada mudam (n)esta vida

Na palma da minha mão
no regaço de amante
Chora o meu coração
toda a hora, todo o instante

queria apagar o sonho
mimos, beijos, e abraços
esquecer o brilho dos teus olhos
entender o rumo dos teus passos.

Paula Minau

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

Divórcio







Quando penso que o divórcio é admitido pela primeira vez em Portugal em 1910 fico abismada como é possível que apesar de ser notório o seu elevado crescimento, não estejamos ainda preparados para o aceitar e entender.

Parece que a lei existe, até evoluiu e foi finalmente alterada em 1 de Dezembro de 2008, deixando de se julgar quem tinha "culpa" na degradação de uma relação conjugal e também permitir que se um dos conjugues tiver motivos possa rapidamente obter a separação. Ou seja, parece que podemos finalmente pensar que para uma relação funcionar, ambos são responsáveis e intervenientes.
Mas a realidade é bem diferente, opta-se pelo divórcio mas não se está preparado para ele. Continuamos a não saber como lidar com a nova situação, que parece, pode acontecer a qualquer um.

Guerras; difamações; tortura psicológica; usar a inocência dos filhos; o poder económico; social e até denegrir publicamente a imagem do outro, faz do acto do divórcio uma autentica batalha.

Com a ajuda de advogados e juízes; assistentes sociais que por estarem sobrecarregadas com processos nada fazem; vale tudo!

Nunca esquecer, é claro, a família, tios; avós; sobrinhos e até alguns amigos que acham que têm que tomar partido por uma das partes, como se isso fosse correcto e revelasse o seu excelente carácter. Assim luta-se por banir o outro das suas vidas, impedindo o contacto com os que obrigatoriamente ficam do seu lado. Uma verdadeira guerra civil.

Em vez de ajudar, confortar e acalmar os que sentem que o seu sonho foi destruído, vão cravando as suas garras verdadeiramente afiadas no conjugue do lado oposto.

Como se não bastasse e porque amam muito os filhos dessa relação agora desfeita, tentam a todo o custo infernizar-lhes a vida e manipulando-os para que tomem partido por um dos pais, como se isso fosse possível e bom para uma criança.

O mais incrível é que parece que não há ninguém que veja e impeça esta aberração, que proteja as crianças e condene os usando dos mais diversos estratagemas magoam, traumatizam e terminam com a relação entre pais e filhos que somente pedem para os tirar desta guerra.

A parte económica é outra questão pertinente e que facilmente é usada para torturar o outro.

Acresce que tudo isto acontece com o consentimento de todos, já que uma boa parte dos advogados é perito em estratagemas e técnicas para forçar o outro e o levar à loucura; da mesma forma Juízes decidem tendo em conta apenas a sua opinião, sem moral, sem uma profunda analise aos factos apresentados e finalmente cientes que são autoridade máxima e não avaliada.

Sabemos ser civilizados?
Estamos realmente preparados para o divórcio?

Sinceramente, acho que não.

Penso que apenas uma minoria consegue colocar em primeiro plano os filhos, não os prejudicar financeiramente e principalmente não lhes causar traumas. Consegue entender que não há culpa. Que da mesma forma que existe um casamento quando ambos querem, esse só poderá ser mantido se ambos o desejarem. Que uma separação é sempre dolorosa e por isso o melhor é que seja rápida, evitando o sofrimento e muito menos passar para atitudes de vingança.

Que o melhor é ser justo na partilha e até generosos. Afinal a maior parte das vezes gasta-se mais em custas com processos, desgaste e psicólogos do que com uma divisão que beneficie os interesses dos dois.

Grata,

Paula Minau

sábado, 9 de maio de 2009

Saudade

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És poderosa saudade
crias raízes imensas
sem a menor piedade
rudes ferozes e densas
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Como garras afiadas
rasgas nosso coração
corridas desenfreadas
sem nenhuma compaixão
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Corpo e mente estremece
esta ausência que esvazia
o sofrimento engrandece
cria medos,atrofia
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É tão forte esse tormento
que aflita a alma cede
suplica com sentimento
aconchego refugio pede
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Para diminuir essa dor
sê ousado, apaixonado
confia com fé e amor
que amando serás amado
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Sem medo, dor ou lamento
pede nova direcção
pede água, luz e vento
brisa suave paixão
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Paula Minau / Fernão Botelho